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Cientistas descobrem conexão entre autismo e testosterona
18/02/2009

30 de janeiro de 2009 • 10h04 • atualizado às 12h27

Asher Mullard

Reino Unido


As crianças expostas a níveis elevados de testosterona durante a gestação apresentam resultados semelhantes aos de pacientes de autismo, em testes psicológicos. A descoberta oferece sustentação a uma teoria contenciosa sobre a origem da doença, afirmam pesquisadores.

Mas embora a mídia esteja antecipando a possibilidade de testes pré-natais de autismo, os pesquisadores dessa disciplina recomendam cautela, tanto quanto à importância da descoberta quanto com relação à adoção dos exames.

O número de vítimas masculinas de autismo é quatro vezes superior ao de vítimas femininas, e a relação é de nove para um quando se trata de Síndrome de Asperger.

Simon Baron-Cohen, psicólogo do desenvolvimento no Centro de Pesquisa do Autismo na Universidade de Cambridge, Inglaterra, acredita que isso aconteça porque traços associados ao autismo ¿tais como a dificuldade de sentir o que outras pessoas sentem e uma capacidade reforçada de analisar, explorar e extrair as regras subjacentes a sistemas complexos- são manifestações extremas do comportamento masculino normal.

Baron-Cohen e seus colegas reportaram em trabalho publicado pelo British Journal of Psychology que crianças expostas a altas concentrações de testosterona quando fetos têm maior probabilidade de apresentar traços autistas.

E já que altas concentrações de testosterona pré-natais foram associadas a alguns aspectos da capacidade cognitiva masculina, eles alegam que suas descobertas oferecem sustentação à teoria do autismo como "forma extrema do cérebro masculino".

Mas dois comentários publicados na mesma edição da revista demonstram que nem todos os observadores concordam quanto ao valor do estudo ou mesmo com a validade geral da teoria.

A hora do teste
Por mais de uma década, a equipe de Baron-Cohen estudou a correlação entre concentrações de testosterona - medidas em mulheres grávidas que tiveram o fluido amniótico que cerca seus fetos testado para fins médicos- e desenvolvimento, em 235 crianças que não sofrem de autismo.

Os pesquisadores já haviam descoberto que as crianças que foram expostas a concentração elevadas de testosterona fetal exibiam algumas características de adultos com distúrbios autísticos, tais como evitar olhares diretos, desenvolver menos áreas de interesse e estabelecer relacionamentos de mais baixa qualidade.

Agora que as crianças estão em média com nove anos de idade, Baron-Cohen e seus colegas usaram dois questionários para considerar aspectos mais sutis do autismo.

Os questionários perguntavam às mães sobre fatores como a atenção das crianças a detalhes (que é usualmente elevada em pessoas com problemas de autismo) e sua capacidade de perceber o que outras pessoas estão pensando (usualmente baixa nos autistas).

Uma vez mais, eles constataram que, quanto maior a presença de testosterona no ventre, mais parecidos os resultados se tornavam com os de pessoas que sofrem de distúrbios autísticos.

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