A alegria, a descontração, o entusiasmo, a brincadeira, a felicidade são próprios da infância, são companheiros da meninada. Ou deveriam ser.
Crianças se sentirem infelizes ou ficarem tristes temporariamente por motivos vários é um fato normal. No entanto, se estes sentimentos de tristeza e infelicidade persistem, interferindo com a habilidade da criança em funcionar no cotidiano, ela pode estar com depressão. Nas últimas três décadas vem sendo bastante observada e discutida a depressão na criança e no adolescente.
É interessante lembrar que países que já atingiram determinados estágios de desenvolvimento e anexam a qualidade de vida ao progresso e ao desenvolvimento econômico têm estabelecido políticas para a saúde mental que incluem propostas de medidas para diminuir distúrbios psíquicos em crianças. O documento intitulado Mental Health Action Plan for Europe, emitido na Conferência da Organização Mundial de Saúde para assuntos mentais da Europa, em Helsinque, em 2005, define que as políticas de saúde mental devem incluir como prioridade a saúde mental e o bem-estar das crianças e adolescentes. A depressão está ocupando um lugar de destaque na área da saúde mental da adolescência e da infância.
Os relatos de TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo - na infância e na adolescência eram poucos até a década de 80. Atualmente, porém, a estimativa é de que aproximadamente um terço dos pacientes que apresentam sintomas obsessivo-compulsivos estejam na faixa etária mencionada. A orientação do paciente e da família sobre os sintomas e qual a melhor forma de lidar com estes sintomas é uma parte importante do tratamento.
E a influência da mídia na educação e na formação da personalidade infantil?
Nos dias atuais, as crianças têm sido alvo de uma gama de produtos que envolvem desde brinquedos até a alimentação fast-food. Os aspectos da vida da infância moderna como saúde, instrução, criatividade, estão correndo o risco de ser comprometidos pelo mercado consumidor. Os valores estão sendo corrompidos pelo capitalismo global. As horas de exposição à mídia podem afetar o comportamento dos pequenos.
Outra situação problemática na vida dos nossos pequeninos é a valorização da inteligência e das habilidades inatas. O motivo? Estudos demonstram que focalizar a dedicação e o esforço das crianças traz melhores resultados para o rendimento escolar e para as escolhas na vida adulta do que centrar o foco nas habilidades inatas e na inteligência.
E a violência doméstica contra crianças e jovens?
Os acontecimentos trágicos do caso Isabella, que tanto chocou a população brasileira trouxe alguma repercussão favorável, despertou reflexões, modificou comportamentos? Não se estaria deixando passar a oportunidade de se aprofundar na busca dos verdadeiros motivos que podem gerar tragédias como esta e tantas outras que traumatizam a sociedade? Neste contexto, muitos dados foram evidenciados e reveladores de que os pais e as famílias são os principais agressores de crianças e adolescentes. E o que é pior, perante o índice de fatos, especialistas em questões da infância consideram que episódios como o da menina Isabella Nardoni, agredida por familiares em seu bem maior - a vida -, são reflexos de um país ainda tolerante com a agressão contra adolescentes e crianças.
(*) psicóloga clínica
sandrasba@uol.com.br