Segundo o prefácio do editor inglês da edição "Standard", Freud escreveu o artigo sobre a história do movimento psicanalítico com a finalidade de "estabelecer claramente os postulados e hipóteses da psicanálise, demonstrar que as teorias de Adler e Jung eram totalmente incompatíveis com eles e inferir que só levaria à confusão conjuntos de pontos de vista contraditórios receberem todos a mesma designação".
Apesar de terem se afastado de Freud, os ex-discípulos Adler e Jung continuaram durante algum tempo a descrever suas teorias como "psicanálise". E continua o editor: "... embora por muitos anos a opinião popular continuasse a insistir em que havia "três escolas de psicanálise", mas, o argumento de Freud finalmente prevaleceu. Adler já escolhera a designação de "Psicologia Individual" para as suas teorias e logo depois Jung adotou a de "Psicologia Analítica" para as suas.
Este artigo, no qual Freud trata essas questões, foi escrito no período de janeiro a fevereiro de 1914 e revisto em 1924 e consta de 3 seções.
A Seção 1 se estende até 1902, período em que Freud trabalhou sozinho e assim o definiu:"Esse período "splendi isolation", não deixou de ter suas vantagens e encantos. Não tinha obrigação de ler publicações, nem de ouvir adversários mal informados;não estava sujeito a influências de qualquer setor,não havia nada a me apressar. Aprendi a controlar as tendências especulativas e a seguir o conselho não esquecido de meu mestre Charcot: olhar as mesmas coisas repetidas vezes até que elas comecem a falar por si mesmas". A Seção 2 vai até 1910 quando a psicanálise se estendeu a círculos mais amplos. Um período de reuniões e, consequentemente de grandes dificuldades, particularmente ligadas ao ensino da prática da psicanálise, responsáveis por grande parte das dissensões. A Seção 3 trata das dissidências de Adler e Jung.
Seção 1
"A psicanálise é criação minha, durante dez anos fui a única pessoa que se interessou por ela, e todo o desagrado que o novo fenômeno despertou desabou sobre a minha cabeça". É assim que Freud inicia este artigo ressaltando esse caráter de injúrias e críticas que desperta, até hoje, a psicanálise como também "que provocar oposição e despertar rancor é o destino inevitável da psicanálise".
Breuer e Freud - primeiro rompimento -
JOSEPH Breuer (1842/1925), médico austríaco que desempenhou um papel fundamental na vida de Freud,. Redigiu juntamente com Freud os Estudos sobre a histeria, no qual foi descrito o caso princeps de Anna O. O método que utilizaram para o tratamento, dessa paciente, foi o método catártico. O método catártico de Breuer postulava que os sintomas dos pacientes histéricos baseavam em cenas do seu passado que lhes causaram grande impressão, mas que foram esquecidas (os traumas) e a terapêutica consistia em fazê-los lembrar e reproduzir essas experiências num estado de hipnose (catarse). A catarse é uma descarga adequada dos afetos patogênicos. A revivência desses acontecimentos fazem que os afetos que estão ligados a este sejam ab-reagidos. Então, o método catártico está diretamente ligado à hipnose.
Para Breuer, o mecanismo psíquico da histeria era explicado pela divisão mental: nos pacientes histéricos havia uma ausência de comunicação entre vários estados mentais - estados de consciência e estados hipnóides. Freud, neste ponto, diverge de Breuer e sua teoria fisiológica, e coloca a ênfase do mecanismo psíquico da histeria, na divisão psíquica como efeito da defesa, que mais tarde denominou de recalque. O conceito de recalque foi sugerido pelo fenômeno clínico da "resistência", trazido à luz pela inovação técnica que consistiu no abandono da hipnose no tratamento da histeria.
Freud, ainda, afirma que "novos fatores" se somaram à etiologia sexual das neuroses: a transferência, a teoria do recalque e da resistência, o reconhecimento da sexualidade infantil e a interpretação e a exploração dos sonhos como fonte de conhecimento do inconsciente.
Teoria do Recalque
"A teoria do recalque sem dúvida alguma ocorreu-me independentemente de qualquer outra fonte; não sei de nenhuma impressão externa que me pudesse tê-la sugerido, e por muito tempo imaginei que fosse inteiramente original, até que Otto Rank (1911a) nos mostrou um trecho da obra de Schopenhauer World as Will and Idea na qual o filósofo procura dar uma explicação da loucura. O que ele diz sobre a luta contra a aceitação da parte dolorosa da realidade coincide tão exatamente com o meu conceito de recalque que, mais uma vez, devo a chance de fazer uma descoberta ao fato de não ser uma pessoa muito lida". No entanto, Freud deixa claro o seguinte: "Eu me oporia com a maior ênfase a quem procurasse colocar a teoria do recalque e da resistência entre as premissas da psicanálise em vez de colocá-las entre as suas descobertas. Essas premissas, de natureza psicológica e biológica geral, na verdade existem e seria útil considerá-las em outra ocasião; mas a teoria do recalque é um produto do trabalho psicanalítico, uma inferência teórica legitimamente
Freud considera a teoria do recalque "a parte mais essencial" da estrutura da psicanálise, "e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se se empreende a análise de um neurótico sem recorrer à hipnose. Em tais casos encontra-se uma resistência que se opõe ao trabalho de análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose. A consideração teórica, decorrente da coincidência dessa resistência com uma amnésia, conduz inevitavelmente ao princípio da atividade mental inconsciente, peculiar à psicanálise, e que também a distingue muito nitidamente das especulações filosóficas em torno do inconsciente" .
Define o Recalque como um processo em que um ato admissível na consciência, pertencente ao sistema Pcs, é tornado inconsciente, repelido para dentro do sistema Ics. É um processo puramente topográfico, psicológico e dinâmico. Se o aceitarmos como um movimento de afastar algo da consciência, tocaremos numa definição essencial. Freud aproximou o recalque da noção de defesa, antes de defini-lo como um mecanismo constitutivo do inconsciente. É comum a confusão entre recalque e repressão, mas são dois conceitos distintos.
Podemos admitir três fases do recalque:
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Recalque originário: "uma primeira fase do recalque, que consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) da pulsão. Com isso, estabelece-se uma fixação; a partir de então, o representante em questão continua inalterado, e a pulsão permanece ligada a ele"
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Recalque secundário ou recalque propriamente dito: produzido por duas forças: a repulsão, que "atua a partir da direção do consciente sobre o que deve ser recalcado", e a atração "exercida por aquilo que foi primevamente repelido sobre aquilo com que ele possa estabelecer uma ligação". É importante lembrar que o recalque secundário emana do eu;
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Retorno do recalcado: indica o fracasso do recalque, e promove a irrupção do recalcado; a irrupção surge no ponto em que a libido se fixou, e a regressão da libido se dá até esse ponto; o retorno do recalcado se dá sob a forma de sintomas, atos falhos, sonhos, etc.; este é o sentido estrito do termo recalque, o mecanismo responsável pela neurose, a ponto de se considerarem sinônimos recalque e retorno do recalcado.
Para Freud, tratar um assunto metapsicologicamente é abordá-lo em três registros, os pontos de vista tópico, econômico e dinâmico. Podemos resumir a operação do recalque, lembrando o "Vocabulário de psicanálise", p. 557:
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Do ponto de vista tópico: se o recalcamento é descrito na primeira teoria do aparelho psíquico como manutenção fora da consciência, nem por isso Freud assimila à consciência a instância recalcante. É a censura que fornece o modelo desta. Na segunda tópica, o recalcamento é considerado uma operação defensiva do ego (parcialmente inconsciente);
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Do ponto de vista econômico, o recalcamento supõe um mecanismo complexo de desinvestimentos, reinvestimentos e contra-investimentos incidindo nos representantes da pulsão;
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Do ponto de vista dinâmico, o problema principal é o dos motivos de recalcamento: como é que uma pulsão, cuja satisfação é por definição geradora de prazer, acaba por suscitar um desprazer que desencadeia a operação de recalcamento?"
Sexualidade infantil e a teoria da fantasia
A análise conduziu a origem dos sintomas até esses traumas sexuais infantis, as experiências sexuais passivas nos primevos anos da infância. A teoria freudiana na clínica com as histéricas, destacará a existência, na base do sintoma histérico, de um trauma. Freud começou elaborando um esquema explicativo da etiologia da neurose na relação entre a sexualidade e o traumatismo, a chamada teoria da sedução. A criança sofre da parte do adulto um assédio sexual, mas sem excitação sexual, por falta de condições somáticas de excitação e das representações para integrar esse fato. Posteriormente na puberdade, ocorre uma segunda cena que evoca a cena traumática da infância, deflagrando uma excitação sexual, levando o sujeito a recalcar a lembrança. No decorrer de 1897, Freud, em uma correspondência a Fliess, escreve "'não confio mais na minha neurótica", referindo-se a teoria do trauma e ao abandoná-la, introduz o complexo de Édipo "Descobri que os sintomas histéricos decorriam não de fatos reais, mas de fantasias. Só mais tarde me dei conta de que essa fantasia de sedução pelo pai era, na mulher, a expressão do complexo de Édipo".
Ao instituir o conceito de realidade psíquica, que se diferencia de realidade material, na medida em que esta é dirigida pelo Princípio do Prazer, é neste domínio da fantasia que o aparelho psíquico funcionará. Essas fantasias destinavam-se a encobrir a atividade auto-erótica, os primevos anos da infância, embelezá-la e elevá-la a um plano mais alto. Detrás das fantasias, toda a gama da vida sexual vinha à luz. A análise caminhará junto da fantasia como "realidade psíquica" na busca da análise de sua estrutura, processo registrado por Freud nos textos: "A interpretação de sonhos", "A psicopatologia da vida cotidiana" e "Os chistes e a sua relação com o inconsciente". "Quando se examina a estrutura das fantasias, fica-se convencido do modo como o tema do desejo participa na produção delas perturbou e remodelou o material de que são construídas" (Freud, A interpretação dos sonhos, p.419).
Freud distinguirá as fantasias conscientes, dos devaneios e as fantasias inconscientes. As fantasias inconscientes participam do remanejamento do conteúdo manifesto do sonho, constituída pela elaboração secundária, e a inconsciente inscreve-se na origem da formação do sonho.
As fantasia originárias se definem "como tesouro de fantasias inconscientes que a análise pode descobrir em todos os neuróticos e, provavelmente em todas as crianças" e são definidas também como fantasias originárias, fantasia filogenética, numa busca da origem da história individual do sujeito.
A interpretação dos sonhos:
A interpretação de sonhos abriu uma nova abordagem à vida psíquica quando a técnica da associação foi aplicada aos sonhos. A formação dos sonhos possui a mesma dinâmica da formação de sintomas: um conflito entre duas tendências - o consciente e o inconsciente - um recalcado que se esforça para obter satisfação, realizar um desejo e outra egóica, desaprovativa.
A teoria dos sonhos como realização de um desejo inconsciente foi estendida à elaboração das fantasias e o aparecimento dos sintomas.
Transferência
No relato do caso Anna O., juntamente trabalhado com Breuer, Freud ressalta a função essencial da transferência. Ao acentuar a significação da sexualidade na etiologia da neurose, Breuer foi o primeiro a manifestar uma reação de repúdio, tão comum na psicanálise até os dias de hoje. Para Freud: "O surgimento da transferência sob forma francamente sexual - seja de afeição ou de hostilidade -, no tratamento das neuroses, apesar de ao ser desejado ou induzido pelo médico nem pelo paciente, sempre me pareceu a prova mais irrefutável de que a origem das forças impulsionadoras da neurose está na vida sexual". Apesar da reação negativa em seu círculo de amigos, devido ao fator transferencial, Freud denuncia que a transferência já havia sido observada pelo próprio Breuer, além de, Charcot e Chrobak (ginecologista). Mas, foi o mestre de Viena que levou essa idéia a sério, tomou-a ao pé da letra e persistiu nela, até "conquistar-lhe um lugar entre as verdades aceitas".
Seção II
Período em que foram realizadas as primeiras reuniões, Congressos ( Salzburg/1908), Nuremberg/1910), publicações importantes (Zentralblatt für Pschoanalyse - dirigida por Freud), terminando assim a fase de latência da psicanálise. O campo psicanalítico ganhava novos adeptos e colaboradores, e passo a passo, estendeu-se do campo das neuroses e psiquiatria a outros campos do conhecimento.
Freud ressaltava que o exame analítico de pessoas neuróticas e os sintomas neuróticos de pessoas normais o levaram a conexão com a vida mental normal e também desvendou relações com mitos e a vida mental das crianças.
Seção III
No período entre o Congresso de Salzburg e de Nuremberg, influenciado pela boa receptividade da psicanálise nos Estados Unidos e pela hostilidade dos países de língua alemã, Freud resolveu nomear um homem mais jovem, que "naturalmente" ocuparia seu lugar depois de sua morte - este homem era Jung: "Eu não tinha na ocasião, a menor idéia de que apesar de todas essas vantagens a escolha era a mais infeliz possível".
Nesse calor da divulgação da psicanálise, fundou a IPA, associação oficial, pois temia os abusos a que a sua teoria estaria sujeita logo que se tornasse popular: "Deveria haver alguma sede cuja função seria declarar:Todas essas tolices nada Têm a ver com a análise - isto não é psicanálise". O presidente da Associação, escolhido por Freud, foi Jung que declarou que o objetivo desta era "promover e apoiar a ciência da psicanálise fundada por Freud, tanto como psicologia pura como em sua aplicação à medicina e às ciências mentais e cultivar o apoio mútuo entre os seus membros para que fossem desenvolvidos todos os esforços no sentido da aquisição e difusão dos conhecimentos psicanalíticos".
As deserções:
Freud ao comentar sobre as deserções diz que não é uma tarefa fácil por oferecer "aos inimigos dos da psicanálise o espetáculo que eles tão ardentemente desejam "os psicanalistas se degladiando entre si" mas se ficasse calado, o "silêncio seria mais prejudicial à psicanálise do que uma exposição franca dos danos já causados".
Ao descreve-las usa os conhecimentos psicanalíticos no exame dos movimentos de oposição.
Os dois movimentos de afastamento, de Adler e Jung, diz Freud que ambos cortejavam"uma opinião favorável mediante a formulação de certas idéias elevadas" como forma de vencer as resistências à psicanálise, impelindo para segundo plano o fator sexual da teoria
Alfred Adler (1870/1937), médico austríaco, fundador da escola de psicologia individual. Segundo Roudinesco (Dicionário de Psicanálise), Adler foi "o primeiro grnade dissidente da história do movimento psicanalítico (...) Na verdade, nunca aderiu às teses de Sigmund Freud, de quem se afastou em 1911, sem ter sido, como Jung, seu discípulo privilegiado. Quatorze anos mais novo que o mestre, não procurou reconhece-lo como uma autoridade paterna. Atribui-lhe antes o lugar de irmão mais velho e não manteve as relações epistolares íntimas. Ambos eram judeus e vienenses, ambos provinham de famílias de comerciantes que nunca conheceram realmente o sucesso social. Adler freqüentou o mesmo Gymnasium que Freud e fez estudos de medicina mais ou menos idênticos aos seus. Entretanto , originário de Burgenland, era húngaro, o que fazia dele um cidadão de um país cuja língua não falava."
- As divergências fundamentais começaram na apresentação do trabalho sobre hermafroditismo psíquico. Afirmava, nesta comunicação, que os neuróticos qualificavam de feminino o que era "inferior". Com esse pensamento situava a disposição da neurose em um sentimento de inferioridade recalcada desde a primeira relação da criança com a sexualidade. O surgimento da neurose era a conseqüência do "protesto masculino", caracterizando o princípio do sistema de Adler como um propósito de auto-afirmação do indivíduo, sua "vontade de poder". É o que, sob a forma de um "protesto masculino" desempenha um papel dominante, na formação do caráter e na neurose. Esse "protesto masculino", para Freud, nada mais é senão o recalque. Freud não nega a existência do "protesto masculino" ele critica a posição de Adler de colocá-lo como única força motivadora da vida mental.
. Freud acusa-o de ter um ponto de vista estritamente biológico quando Adler teoriza que as formações neuróticas derivam da luta entre o feminino e o masculino, utilizando a diferença sexual num sentido social . Os significados biológico, social e psicológico de masculino e feminino estão "irremediavelmente confundidos".
- A teoria adleriana é um sistema, e a psicanálise evitou a vir a ser. Jamais a psicanálise pretendeu oferecer uma teoria completa das atividades humanas em geral. A teoria de Adler vai muito, além disso, procurando de um só golpe explicar o comportamento e o caráter dos seres humanos bem como de suas doenças neuróticas e psicóticas.
. Material dos sonhos são tratados por Adler como um processo ao qual o pensamento desperto submete este material, dando ênfase ao constituinte egoístico. Os sonhos são vazios e destituídos de sentidos; são desvios da linha feminina para masculina Faz uso da racionalização, consequentemente oculta o motivo inconsciente. O inconsciente não tem nenhuma relação com seu sistema, para ele não há uma distinção entre idéias conscientes e inconscientes.
- Adler questiona as noções freudianas de recalque e libido como sendo inadequadas
para explicar a "psique desviante" dos primeiros anos de vida.
- Visão da vida é baseada no instinto agressivo, ao há lugar para o amor na sua teoria.
- Para Freud, o sistema de Adler, apresenta uma consistência e uma coerência. E apesar de todas as modificações se baseia numa teoria das pulsões.
Carl Gustav Jung (1875/1961), psiquiatra suíço, fundador da psicologia analítica. Para Roudinesco, Jung "foi fundador de uma escola de psicoterapia, amigo e discípulo de Freud de 1907 a 1913, introdutor com Eugen Bleuler da psicanálise na Suíça alemã, especialista em psicoses e fascinado pelo orientalismo (...) realizou uma obra tão abundante quanto a de Freud, cuja tradução em francês está muito longe de ser concluída. Dezenas de obras , artigos e comentários foram escritos sobre Jung, e o junguismo se implantou em vários países".Foi o primeiro presidente da International Psichoanalytica Association (IPA).
Os pontos que Freud criticou nas modificações que Jung propôs que se fizessem na Psicanálise foram:
- Eliminar o lado reprovável (sexual) dos complexos familiares para não voltar a encontrá-lo na religião e na ética. O complexo de Édipo tem um significado meramente simbólico, pois o embuía de um elevado sentido anagógico (de um sentido natural e vulgar elevado para um sentido espiritual e místico).
- O conflito para Jung não tinha um caráter psíquico e sim uma luta entre as "tarefas da vida" e a "inércia psíquica": o sentimento de culpa do neurótico corresponde a auto-recriminação por não cumprir adequadamente se "trabalho seu viver"..
- Com a teoria dos arquétipos, definido como uma forma preexistente inconsciente que determina o psiquismo e provoca uma representação simbólica que aparece nos sonhos, na arte e na religião, Jung se afastou radicalmente da teoria psicanalítica. Os arquétipos constituem o inconsciente coletivo.
- A libido sexual foi substituída por um conceito abstrato afrouxando assim a conexão dos fenômenos e a vida pulsional. Jung tentou várias vezes em convencer Freud de dessexualizar sua doutrina "nem que fosse, disse ele, para que ela fosse mais bem acolhida.
- Jung chamou a atenção para as semelhanças entre as fantasias desordenadas que padecem de demência precoce e os mitos dos povos primitivos. Freud indicou que os dois desejos se combinam para formar o complexo de Édipo coincidem com as duas proibições impostas pelo totemismo (não matar o ancestral tribal e não casar com nenhuma mulher pertencente ao próprio clã). Jung se interessou cada vez mais pelo estudo etnológico das civilizações arcaicas e adotou as teses da psicologia dos povos e afirmava que existiam diferenças radicais entre as raça, as culturas e as mentalidades.