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Artigos

PULSÃO
Por Beatriz Valle

A PULSÕES E DESTINOS DA PULSÃO

(TRIEB UND TRIEBSCHICKSALE/1905)




EM 1924, segundo o Dicionário de Psicanálise editado por Pierre Kaufmann, num acréscimo ao artigo Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, 1905, Freud escreve "A teoria das pulsões é a parte mais significativa, mas também a menos avançada da teoria psicanalítica". Não podemos deixar de ressaltar que a tradução do termo Trieb, por Instinkt, no inglês, trouxe equívocos teóricos que conduziram a Psicanálise para a Psicologia doEgo.O termo Trieb (pulsão) vem do alemão e, literalmente, significa impulsão, propulsão.

.Freud acredita abarcar, mediante o conceito de pulsão, a especificidade da sexualidade humana. Essa especificidade exigia, desde o princípio, um modelo dualista, no qual as pulsões sexuais fossem distinguidas e separadas de outro tipo de pulsão, isto é distinguir a sexualidade da necessidade biológica - a fome, do amor.

Primeiro dualismo psíquico: pulsões de autopreservação X pulsões sexuais

A fome está ligada às pulsões de autopreservação ( pulsões do ego) e o amor está ligado à preservação da espécie (pulsão sexual, vida sexual pervertida e infantil). Esta oposição deveria estar na base do conflito psíquico. Daí nasce o conceito de apoio (Anlehnung) - o sujeito erogeniza as partes de seu corpo que cumprem uma função biológica, consequentemente a sexualidade nasce apoiada nas bordas do corpo biológico. Esse modelo se mantém até 1911, data da publicação do artigo Transtornos psicogenéticos da visão. A partir do exemplo da cegueira histérica, Freud teve que reconhecer a dupla utilização do olho.. Com as novas descobertas na clínica, a partir de 1920, com o papel cada vez maior do narcisismo, o ego tomando a si próprio como objeto e comportando-se como apaixonado por si mesmo, Freud encontra outro antagonismo na vida pulsional, inaugurando o segundo dualismo: pulsões de Vida X pulsões de Morte. A pulsão de morte traduz-se em alguns fatos clínicos: a compulsão a repetição, o sadismo, masoquismo.

No artigo Pulsões e destinos da Pulsão, Freud aborda os seguintes ângulos no conceito de pulsão:

1. fisiológico - no ponto de vista da fisiologia define-se por estímulo ( Reiz) - modelo de arco reflexo, segundo o qual um estímulo aplicado ao tecido vivo (substância nervosa) a partir de fora é descarregado por ação para fora. Não existe nada que impeça de subordinar o conceito de pulsão ao de estímulo e de afirmar que uma pulsão é um estímulo aplicado à mente. Mas existem os estímulos pulsionais (irritação da membrana mucosa do estomago) e os fisiológicos (incidência de uma luz forte sobre os olhos) diferenciando o surgimento do estímulo: o pulsional surge dentro do organismo e não basta somente uma ação para removê-lo e tudo que é essencial no estímulo fica encoberto, além de ter um impacto constante. O estímulo fisiológico é externo,tem um impacto momentâneo e pode ser removido com uma única ação.

2. biológico: a pulsão é um conceito situado na fronteira do mental e do somático, representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente.

Na pulsão, Freud, distingue sua origem (um estado de excitação no corpo); sua finalidade (a remoção deste estado de excitação) e o caminho que percorre desde a origem até a sua finalidade, a pulsão torna-se atuante psiquicamente. Então, surge de diferentes áreas e regiões do corpo um grande número de pulsões que se empenham por obter satisfação e prazer de órgão.

Definida, por Freud, como conceito "(...) limítrofe entre o anímico e o somático, como um representante psíquico dos estímulos que provêm do interior de corpo e alcançam a alma, como medida da exigência de trabalho imposta ao anímico em conseqüência de sua ligação com o corporal", a pulsão funciona como uma membrana por meio da qual os estímulos somáticos afetam o psiquismo e convocam à significação.

Foi assim, de uma observação e escuta da superfície dos corpos, dos atos falhos, dos sonhos, do sintoma é que surge a Psicanálise. O sintoma é do corpo já bem falavam as histéricas.

Segundo Lacan, "A análise se distingue por enunciar isto, que é o x do meu ensino: falo sem saber. Falo com meu corpo, e isso, sem saber.Assim sempre digo mais do que sei".



Como analisar uma perna que não anda, mas que não tem nenhuma lesão nervosa?

Como pode existir uma cegueira se os órgãos da visão estão perfeitos?

Por que o ato de comer ultrapassa a necessidade?

Para entendermos a diferença entre ouvir/escutar, ver/olhar é necessário distinguirmos entre ser um corpo (animal) e ter um corpo (humano): é o que particulariza o sintoma como próprio do corpo, mas no qual o sujeito não se reconhece e tão pouco se identifica, por possuir dois corpos superpostos, segundo Iordan Gurgel (Latusa,10), o corpo do saber necessário para viver (corpo do eu, do prazer) e o corpo libidinal (corpo-gozo) desregulado, do recalque, que não obedece ao eu. Nessa passagem do prazer ao gozo é evidenciado quando o saber do corpo é desobedecido porque há uma perda na finalidade do órgão que se desnaturaliza. De um lado o corpo fala (efeitos do discurso que afeta o corpo) e por outro, cria a disfunção, da qual o homem pode se queixar. O ato ultrapassa a necessidade. Por isso no sujeito há uma diferença fundamental entre necessidade, demanda e desejo.

Para distinguirmos esses três termos vamos recorrer a primeira experiência de satisfação: a satisfação alimentar, segundo uma leitura do livro Introdução à teoria de Lacan, de Jöel Dor.

O processo se inicia com uma sensação de desprazer ocasionado pela fome, necessidade que exige ser satisfeita e é um estado de tensão inerente à fonte de excitação da pulsão. Esse desprazer de sentir fome não é atendido a qualquer hora, geralmente vem associado a um gesto importante - o choro. Este processo pulsional em ação nesta primeira satisfação é da ordem de uma pura necessidade, uma vez que a pulsão vê-se satisfeita sem mediação psíquica. Podemos então imaginar que depois de uma primeira experiência de satisfação a criança retém na memória um traço desse seio - chamado traço mnésico e é este traço que constitui a representação do processo pulsional da criança.

Quando o estado de tensão pulsional reaparecer, o traço mnésico será reativado correspondente ao seio, produzindo uma alucinação e a manifestação pulsional não pode ser mais uma pura necessidade. É uma necessidade ligada a uma representação mnésica de satisfação. Mas a criança irá confundir, num primeiro tempo, a evocação mnésica da satisfação passada com a percepção do acontecimento presente. Isto é, o bebê confunde a alucinação e o seio que vem atendimento a sua demanda, exemplo disso é que quando a mãe aparece,tudo o que ela poderá oferecer jamais corresponderá ao traço de memória e a criança, às vezes, mesmo com fome, recusa o seio da mãe ou seus substitutos. Depois de várias repetições da experiência de satisfação, o bebê poderá distinguir a imagem mnésica da satisfação real.

A imagem mnésica funciona no aparelho psíquico como uma representação antecipada da satisfação ligada ao dinamismo do processo pulsional. É neste sentido que podemos falar de desejo em Freud. O desejo nasce de um reinvestimento psíquico de um traço mnésico de satisfação ligado à identificação pulsional.Então, a demanda é uma expressão do desejo que para além de satisfação da necessidade ela é sempre formulada e endereçada a outrem- é sempre uma demanda de amor.

Podemos agora formular que o eu - porque deriva de sensações corporais, principalmente aquelas das superfícies do corpo em contato com o mundo - torna-se uma projeção psíquica da superfície corporal.

Esse corpo libidinal que se distingue do corpo biológico dos animais por ser inscrito em uma ordem da linguagem, foi denominado como corpo erógeno, marcado pelas zonas erógenas. A zona erógena é definida por Freud como uma parte da pele ou da mucosa em que certos tipos de estimulação provocam uma sensação prazerosa. Mas são certas partes do corpo que são privilegiadas: boca, ânus, genital, por isso esse caráter parcial das pulsões.

As fases da organização de libido (ou energia sexual), oral, anal e fálica propostas por Freud tem de ser pensadas não só como privilegiadoras de zonas erógenas do corpo mas também com inscrições que se fazem no psiquismo a partir das relações estabelecidas entre a criança e o Outro.


Retomando o artigo A Pulsão e Destinos da Pulsão, Freud examina a noção de pulsão a partir de quatro parâmetros, que são os termos da pulsão:

Pressão (Drang) - quantidade de força ou a medida da exigência de trabalho que ela representa. A característica de exercer pressão é comum a todas pulsões. È uma Konstante Kraft.

Finalidade (Ziel) - é sempre satisfação, que só pode ser obtida eliminando-se o estado de estimulação na fonte da pulsão. A busca da satisfação procura reeditar uma satisfação primeira, busca essa que se repete infindavelmente através dos objetos que se oferecem como pretendentes a ocupar o lugar da coisa (das Ding), irremediavelmente perdida pelo simples fato de que nunca foi tida. O alvo da pulsão não é outra coisa senão o retorno em circuito da pulsão à sua fonte, o que permite entender em que uma pulsão pode ser satisfeita sem atingir o seu alvo.

Objeto (Objekt) - é a coisa em relação à qual ou através da qual a pulsão é capaz de atingir sua finalidade. É o que há de mais variável na pulsão, não está ligado originalmente a ela, mas articula-se a ela apenas pela sua peculiar aptidão para possibilitar a satisfação. O objeto pode ser modificado quantas vezes forem necessárias no decorrer das vicissitudes que a pulsão sofre durante a sua existência e pode ocorrer que o mesmo objeto sirva de satisfação a várias pulsões simultaneamente. Em outras palavras, a pulsão que experimenta seu objeto descobre que não é através deste objeto que ela se satisfaz, esse objeto é totalmente indiferente. Por exemplo: o que satisfaz a pulsão na necessidade alimentar não é o objeto alimento, mas o prazer da boca.

Fonte (Quelle) - entende-se aquele processo somático, interior a um órgão ou a uma parte do corpo,cujo estímulo é representado na vida anímica da pulsão.


Destinos da Pulsão:

Freud apresenta os destinos da pulsão como sendo ao mesmo tempo variedades da defesa contra as pulsões. Uma vez que é uma Konstante Kraft, ela busca de forma imperativa a satisfação, mesmo que não seja totalmente obtida. Descreve dois representantes psíquicos das pulsões:

1. Vorstellung - representante ideativo, definido como um complexo de imagens;

2- Affekt - o afeto como pura intensidade, expressão qualitativa do quantum de energia pulsional.

Cada um desses representantes pulsionais tem destinos diferentes que obedecem a deferentes mecanismos de transformação. Neste artigo, Freud trata os destinos do representante ideativo e não dos destinos do afeto.

Os quatro destinos da pulsão do representante ideativo são:


Retorno ao seu oposto e Retorno em direção ao próprio eu do indivíduo:

-a reversão de uma pulsão a seu oposto transforma-se em dois processos diferentes:


1-uma mudança da atividade para a passividade

Freud exemplifica a mudança da atividade para a passividade com os pares de opostos: sadismo/masoquismo e escopofilia/exibicionismo. A reversão afeta a finalidade da pulsão.. A finalidade ativa (torturar/olhar) é substituída pela finalidade passiva (ser torturado/ser olhado). O retorno da pulsão em direção ao próprio eu é o masoquismo, que na realidade é o sadismo, que retorna em direção ao próprio ego do indivíduo, e o exibicionismo abrange o olhar para o seu próprio corpo. A essência do processo é a mudança do objeto, ao passo que a finalidade permanece inalterada.

Exemplificando com o par de opostos:

sadismo/masoquismo:

  1. O sadismo consiste no exercício de violência ou poder sobre uma outra pessoa como objeto.

  2. Esse objeto é abandonado e substituído pelo eu do individuo. Com o retorno em direção ao eu efetua-se também a mudança de uma finalidade pulsional ativa para uma passiva.

  3. Uma pessoa estranha é mais uma vez procurada como objeto: essa pessoa, em conseqüência da alteração que ocorreu na finalidade pulsional, tem de assumir o papel de sujeito - masoquismo.

No momento (b) há um retorno em direção ao eu do sujeito sem uma atitude de passividade para outra pessoa. O desejo de torturar transforma-se em autotortura e autopunição, não em masoquismo. A voz ativa muda para a voz reflexiva média.As sensações de dor beiram a excitação sexual e sentir dor se transforma numa finalidade sádica de causar dor, retrogressivamente; enquanto essas dores estão sendo infligidas a outras pessoas, são fruídas masoquisticamente pelo sujeito através da identificação dele com o objeto sofredor. Isto é, em ambos os casos, não é a dor em si que é fruída, mas a excitação sexual concomitante a partir de uma posição sádica. A fruição da dor seria, assim, uma finalidade originalmente masoquista, que só pôde tornar-se uma finalidade pulsional em alguém que era originalmente sádico.


Escopofilia/exibicionismo:

  1. O olhar como uma atividade dirigida para um objeto estranho.

  2. O desistir do objeto e direção da pulsão escopofílica para uma parte do próprio corpo do sujeito; transformação no sentido de passividade e o estabelecimento de uma nova finalidade - a de ser olhado.

  3. Introdução de um novo sujeito diante do qual a pessoa se exibe a fim de ser olhada por ele - a atividade ativa surge antes da passiva, o olhar precede o ser olhado.

Freud descreve uma fase anterior a (a) - nesta fase preliminar a pulsão escopofílica é autoerótica - o objeto é parte do próprio corpo do sujeito. Só mais tarde a pulsão é levada, por um processo de comparação, a trocar esse objeto por uma parte análoga do corpo de outrem (fase a).

Alguém olhando para um órgão sexual = um órgão sexual sendo olhado por alguém

Alguém olhando para um objeto estranho(escopofilia ativa) = um objeto que é alguém parte de alguém sendo olhado por uma pessoa estranha (exibicionismo).


2- Reversão de seu conteúdo:

Transformação do amor em ódio - é comum encontrar ambos dirigidos simultaneamente para o mesmo objeto, sua coexistência oferece o exemplo mais importante de ambivalência de sentimento.

O amor não admite apenas um, mas três opostos. Amar/odiar; amar/ser amado e amar-odiar/indiferença.

Amar/ser amado - transformação da atividade em passividade; e pode remontar a uma situação subjacente a de amar-se a si próprio - traço característico do narcisismo.

Freud reflete sobre a vida mental como um todo que se rege por três polaridades, as antíteses:

Sujeito (ego) - Objeto (mundo externo, isto é sujeito/objeto).

Prazer/Desprazer - o ego odeia, despreza, com a intenção de destruir todos os objetos que constituem uma fonte de desprazer e incorpora tudo que lhe dá prazer.

Ativo/passivo - a relação do ego com o mundo externo é passiva na medida em que o primeiro recebe estímulos do segundo, e ativa quando reage a eles.

No início da vida mental o ego é catexizado com a pulsão, sendo, até certo ponto, capaz de satisfazê-las em si mesmo. Denominamos essa condição de narcisismo e essa forma de obter satisfação auto-erótica. Durante a fase do narcisismo primário, o objeto faz sua aparição, o segundo oposto amar/odiar atinge o seu desenvolvimento.

A origem do amor deriva da capacidade do ego de satisfazer auto-eroticamente alguns dos seus impulsos pulsionais pela obtenção do prazer do órgão. É originalmente narcisista, passando então para os objetos, que foram incorporados ao ego ampliado. As fases preliminares do amor - incorporação ou devoramento - surgem: um tipo de amor que é compatível com a abolição da existência separada do objeto e que, portanto, pode ser descrito como ambivalente. Na fase mais elevada da organização sádico-anal, fase pré genital, a luta pelo objeto aparece sob a forma de uma ânsia de dominar, para a qual o dano ou o aniquilamento do objeto é indiferente. O amor nessa forma e nessa fase preliminar quase não se distingue do ódio em sua atitude para com o objeto. Só depois de estabelecida a organização genital é que o amor se torna o oposto do ódio.

O ódio, enquanto relação com os objetos, é mais antigo que o amor. Provém do repúdio primordial do ego narcisista ao mundo externo enquanto reação de desprazer .

Recalque - Verdrängung

Uma das vicissitudes que a pulsão pode sofrer é encontrar resistências que procuram torná-la inoperante. Designa o processo que visa manter no inconsciente todas as idéias e representações ligadas às pulsões e cuja realização, produtora de prazer, afetaria o equilíbrio do funcionamento psicológico do indivíduo, transformando-se em fonte de desprazer. Tudo o que é recalcado tem, necessariamente, que permanecer inconsciente, mas queremos deixar claro, logo de saída, que o recalcado não abrange tudo o que é inconsciente. É o inconsciente que tem a maior extensão entre os dois; o recalcado é uma parte do inconsciente.

Existem três tempos constitutivos do recalque:

: 1) Recalque originário, que consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) da pulsão. Com isso estabelece-se uma fixação; a partir de então, o representante em questão continua inalterado, e a pulsão permanece ligada a ele.

2) Recalque secundário ou recalque propriamente dito: afeta os derivados mentais do representante recalcado, ou sucessões de pensamento que, originando-se em outra parte, tenham entrado em ligação associativa com ele.

3) Retorno do recalcado nas formações do inconsciente - sob a forma de sintomas , sonhos, esquecimentos, atos falhos.

O motivo e a finalidade do recalque não são nada além da evitação do desprazer e a retração do investimento de energia.


Sublimação

Sublimação é um dos destinos da pulsão, utilizada por Freud para explicar atividades humanas sem qualquer relação com a sexualidade, mas que encontrariam o seu elemento propulsor na força da pulsão sexual: a atividade artística e a investigação intelectual.

A pulsão sexual põe à disposição do trabalho cultivar quantidade de força extraordinariamente grande, e este graças à particularidade, especialmente acentuada nela, de poder deslocar o seu alvo sem perder, quanto ao essencial, a sua intensidade.



Pulsão em Freud:

  1. Projeto (1895) - Pré-história do conceito

  2. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905) - surgimento do concito

  3. Pulsão e suas vicissitudes (1915) - desenvolvimento do conceito

  4. Mais além do princípio do prazer (1924) e Mal-estar da civilização (1930) - efeitos do conceito de Pulsão de Morte


 
 
 
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